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quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Requiem para um Sonho


A história é sobre quatro viciados, que no início do filme estão cheios de sonhos e com boas perspectivas de realizá-los, afinal são jovens (três deles), cheios de idéias e energia. Porém, com o vício, acabam ferrando tudo. Harry (Jared Leto), Tyrone (Marlon Wayans) e Marion (Jennifer Connelly) formam um grupinho de amigos que se envolvem cegamente nas drogas. Enquanto isso, Sara (Ellen Burstyn) é viciada em televisão e, quando recebe uma possível proposta de participar de um programa de auditório, resolve emagrecer com pílulas de anfetamina, que acabam perdendo o efeito com o tempo, e ela, viciada, começa a exagerar na dose para tentar recuperar a eficiência das pílulas.

O filme é isso que você vê eventualmente sendo demonstrado na televisão em campanhas contra as drogas: mostra os sonhos, depois o processo de ruína, e o fim trágico de seus usuários. E, acreditem, Réquiem Para um Sonho não é novela das oito, aqui dificilmente o final será feliz, para quem quer que seja. E esse é justamente um dos pontos fortes do filme: ele não tenta dar nenhuma lição de moral, não ensinar nada, apenas joga na tela, da forma mais cruel possível, os efeitos que as drogas podem causar sobre seus dependentes. Não há nenhum médico ou parente para confortar os personagens, só desespero e dor. Então, o espectador é quem decide se o que viu é o suficiente para alertá-lo ou não.

Requiem for a Dream, 2000 - Trilha Sonora

1 - Summer Overture
2 - Party
3 - Coney Island Dreaming
4 - Chocolate Charms
5 - Ghosts of Things to Come
6 - Dreams
7 - Tense
8 - Dr. Pill
9 - High on Life
10 - Ghosts
11 - Crimin' and Dealin
12 - Hope Overture
13 - Tense
14 - Bialy and Lox Conga (por The Moonrats)
15 - Cleaning Apartment
16 - Ghosts-Falling
17 - Arnold
18 - Marion Barfs
19 - Supermarket Sweep
20 - Bugs Got a Devilish Grin Conga
21 - Winter Overture
22 - Southern Hospitality
23 - Fear
24 - Full Tense
25 - The Beginning of the End
26 - Ghosts of a Future Lost
27 - Meltdown
28 - Lux Aeterna
29 - Coney Island Low

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

O ILUSIONISTA

Edward Norton interpreta Eisenheim, um pobre adolescente que, após ser cruelmente separado de um romance impossível com uma condessa, viaja pelo mundo com o objetivo de desvendar os grandes segredos da mágica. O roteiro brinca com o espectador ao exibir seus truques como uma mistura de realidade (através de apetrechos engenhosos) e fantasia (alguns truques nunca são explicados), e por isso ele pode afastar os céticos. O Ilusionista pede por credulidade, ou pelo menos por apreço à fantasia, para não ser mal interpretado. Apesar de explicar vários truques, muitos pontos do filme ficam simplesmente em aberto, como o final, que é um tanto quanto livre em interpretações.

Mas há mais do que uma seqüência de truques no filme. Temos, também, uma boa história de amor e um bom suspense. O clima macabro do teatro em que Eisenheim se apresenta ao público é no mínimo interessante. Infelizmente o par amoroso de Edward Norton é Jessica Biel, uma atriz muito bonita, mas que aqui é o ponto fraco de um bom elenco. A atriz ainda vai ter que trabalhar muito para se livrar do estigma de atriz de filmes adolescentes. Beleza, afinal, não é tudo, e infelizmente ainda é seu único ponto forte. Mas como dito, o restante do elenco é muito bom. Norton, como não poderia ser diferente, sobressai-se, até pelo fato de seu papel ser razoavelmente complexo – ódio, amargura, amor, mistério, são esses alguns ingredientes que ele apresenta muito bem.

Agora, não há como negar que, sem a excepcional fotografia (indicada ao Oscar – a única indicação do filme, enquanto O Grande Truque teve duas), O Ilusionista perderia praticamente todo o seu charme. A utilização de muitas sombras (como no já citado teatro de Eisenheim) e luzes suaves remete a um filme antigo, das primeiras décadas do século XX. E como este é um filme de época, esta foi uma decisão feliz da produção. Há cenários em céu aberto que são simplesmente magníficos. Não é a melhor fotografia de 2006 (ano em que foi lançado), mas é um ponto fortíssimo do filme.

Como não poderia deixar de ser, há alguns pontos fracos. O principal deles é a existência de clichês muito primitivos. O vilão (príncipe Leopold), por exemplo, é caricato demais, um personagem quase que totalmente unidimensional – sua única motivação é querer o poder durante todo o filme, ainda que para isso ele cometa vários atos estúpidos. O outro ponto fraco a ser citado é técnico. Apesar da estética apurada e o cuidado com os detalhes que a produção certamente possui, o uso da computação gráfica em cenas-chave do filme incomoda. Alguns dos truques de Eisenheim somente puderam ser demonstrados desse jeito, e infelizmente isso tira um pouco do charme e da fantasia que eles objetivavam. Ainda assim, pelo menos, esses efeitos em sua maioria são discretos.

O Ilusionista é um divertidíssimo filme. Possui muitas cenas belas e as interpretações de Giamatti e Norton garantem certa integridade artística ao longa-metragem. Não é tão sofisticado nem engenhoso quanto O Grande Truque, mas é tão divertido quanto ele, e muito mais belo de se assistir (vale lembrar que O Grande Truque também é dono de uma maravilhosa fotografia). Um belo trabalho que deve receber atenção mais justa agora que está disponível nas locadoras e não precisa dividir atenções com ninguém. Mais do que recomendado!